sábado, 17 de maio de 2014



O SOL SE ERGUEU PARA MIM



Um dia eu pensei que o amanhã nunca chegaria.
Senti uma agonia.
Tremi por dentro.
Eu ainda queria viver.
Mas estava tão cansada de sofrer.
Chegou-me uma negra noite sem estrelas e luar.
Eu não sabia se a manhã ia chegar.
Eu rezava ao Pai que tudo ouve.
Se for para meu bem que amanheça.
Que o sol se erga pra mim.
Era um sofrimento.
Era bem assim.
Que noite tétrica aquela!
Mas por entre lágrimas eu vi nascer uma manhã tão bela.
O amanhã chegou pintando de novo meu mundo cinzento.
Voltei a crer no mesmo momento.
As feridas se curariam com o tempo.
Porque ele tem este dom de tudo curar, de tudo acertar.
O que importa mesmo nesta vida é acreditar.


sonia delsin



UM ABRAÇO



Hoje eu quero falar do valor de um abraço.
De um abraço de verdade.
De um ninho, de um carinho.
Quero falar da sensação de aconchego.
Da segurança que alguém pode nos passar com um simples olhar, uma palavra, um gesto.
O seu abraço é assim.
Um pouco de tudo que preciso.

O seu abraço me faz alcançar tudo que minha alma se acha no direito de sonhar.
Ele me acalenta.
Mas ele faz mais que isso.
Seu abraço é paraíso...

Vivo mil anos, mais de mil na lembrança de seu abraço...
Porque nas minhas horas de dor ele chega.
E a simples lembrança consegue aliviar o meu sofrer.
Me dá força pra viver.

Você na minha vida significou tanto e mesmo distante é presença.
Você pra mim é a diferença.
É minha crença.

Posso acreditar num mundo melhor.
Porque o carinho existe.
E insiste.

Mesmo de asas quebradas posso voar... porque acredito no milagre do amar.


sonia delsin



O MAIOR AMIGO DO HOMEM




Ontem alguém
morreu.
Agredido pelo
maior amigo do homem.
Precisamos
analisar.
Por que estas feras precisam
criar?
Pra proteger
ou pra matar?
Será que
muitos conceitos
não é necessário revisar?

sonia delsin



ESCREVI A VIDA INTEIRA



Parece que falo besteira.
Mas escrevi a vida inteira.
Foi tão intenso o meu escrever, como foi o meu ler.
Sou assim. Foi este meu viver.
Claro que fiz muitas outras atividades.
Mas ler e escrever foram prioridades.
Chegamos numa idade em que nos colocamos a refletir.
Qual o significado de meu existir?
Eu não arrependo de nenhum passo dado.
Não lamento meu passado.
Adoro meu presente.
E continuo sendo uma pessoa crente.
Acredito em mim mesma, num mundo melhor.
Mesmo quando tudo está difícil ao nosso redor.
Não sou de desanimar.
Adoro rimar.
Ou não rimar.
Mas escrever, contar.
Poetar.
Voar e em palavra tudo transformar.
Escrevi a vida inteira e pretendo continuar.
Inspiração nunca vai me faltar e acredito que numa idade avançada vou chegar.
Lendo e escrevendo vou estar até minha hora de partir chegar.


sonia delsin



QUANDO A VIDA LHE DIZ NÃO


Diga sim quando a vida lhe diz não.
Seja teimoso.
Reaja.
Aconteça em seu mundo.
Não viva se deprimindo.
Procure viver rindo.
O riso espanta a tristeza.
Tudo passa. Vira fumaça.
Por pior que o momento seja logo terá passado.
E outro momento você terá conquistado.
A dor não dura eternamente.
Nesta vida o que vale mesmo é o momento presente.
Vamos fazer com que ele seja o melhor possível.
A verdade é que não existe impossível.
Quando acreditamos firmemente tudo pode ser diferente.
Quando a vida lhe diz não procure dizer sim.
Verá como tudo ficará melhor assim.
Podemos de um parque arruinado construir um belo jardim...


sonia delsin



FRAGILIDADE


Eu me fiz tão forte.
Atravessei desertos.
Montanhas escalei.
Sobre espinhos pisei.
Me feri, me machuquei.
Noutras horas sobre nuvens eu dancei...
Como eu vibrei!
Mas quanto eu me dei!
Quanta dedicação!
Minha vida daria uma canção.
Que nada! Daria um romance de milhares de folhas.
Todos nós somos no fundo somos um grande e romanesco ser.
Um dia cansei de sofrer.
Pensei.
Vou rir. Buscar com o riso apagar a dor.
Não vou sofrer mais por amor.
Que ilusão!
No fundo eu sou só esta frágil criatura que se entrega.
Que não se nega quando o amor bate à porta.
Nestas horas com o sofrer não se importa.
Sou frágil caravela solta no mar.
E aprendi nesta vida a conjugar com mais intensidade o verbo amar...


sonia delsin


POEIRA CÓSMICA

A barba dele alcançava a ponta do externo.
Já nem era mais branca de tão encardida.
Ele tinha uns olhos guardados numa caixinha de rugas como nunca vi igual na vida.
Tão plissada a pele que quase nem se via mais o negro da íris.
Mas existia e eu via.
Algumas verrugas no rosto e braços.
Ele trazia na boca um riso que nascera e morrera ali.
Era mais uma contração.
Mas eu queria acreditar que era um leve sorriso estagnado em sua face incinerada pelo sol ardente.
As cestas de lixo que se distribuíam pela pracinha ele não deixava de observar uma sequer.
O que encontrava comia.
Eu o vi certa vez a comer um restinho de iogurte com colher.
Ele remexia, comia.
Restinhos de refrigerante bebia.
Depois se sentava num banco qualquer.
Arrotava como se tivesse se deliciado com uma bela refeição.
Vi isto em cima deste chão.
E embaixo deste céu de meu Deus.
Que somos? Poeira cósmica?
Somos pó?
Tento encontrar o fio da meada e encontro um nó.
A refletir me coloco.
E me desloco.
Que somos perante o Universo?

O que somos nós?

sonia delsin


JOÃOZINHO... QUEM NÃO O CONHECE?

É fria madrugada.
Na calçada.
Ajeita o cobertor.
O cobertor de jornal que lhe escapa.
Que úmido se dissolve.
Deus! Não pode ter mais que dez anos!
Já cheirou cola!
Já fumou maconha!
Já experimentou até o crack!
Quantas vezes não conseguiu pegar no sono...
de fome!
Já sonhou carícias de mãe.
Afagos de pai.
Sorrisos de irmãos.
Bateu carteira... correu.
Cobiçou nas vitrines uma realidade...
dos outros meninos.
A sua... a rua.
O amanhã? O que ainda pode lhe oferecer?
O menino se encolhe ainda mais.
O frio o congela!
Se pelo menos chegasse...
um mingau bem quente
numa tigela!


sonia delsin


SOU ASSIM

Gosto de trabalhar.
Adoro ler e escrever.
Adoro acariciar e ser acariciada.
Pelos meus filhos sou completamente apaixonada.
Sinto muito amor e procuro compreender todos meus familiares.
Sei que por todos eles sempre fui muito amada.
Gosto de piada.
De dar risada.
Acho a vida por vezes muito engraçada.
Faço palhaçada.
Fico magoada e acho isso uma mancada.
Gosto da beleza, da natureza. Adoro música, pintura.
Acho criança a coisa mais pura.
Tive vida dura.
Mas estou aqui. Sempre querendo viver muito mais.
Sempre tentando trazer pra todos muita paz.
Já me disseram que sou iluminada.
Mas digo que a luz eu é que vivo buscando.
Atravesso a vida assim. Sou amiga de verdade.
Odeio falsidade.
Acredito que é dentro de nós mesmos que mora a felicidade.

E penso também que na vida pra ser feliz nunca é tarde...

sonia delsin


ESTRAGOS IRREPARÁVEIS

Tinhas um olhar tão triste, tão triste.
Nos teus últimos anos de vida tinhas um olhar tão dolorido.
Dizias.
Tenho lembranças duras do passado.
Por um sorriso teu o que eu não teria dado?
Meu pai amado.
A depressão danos irreparáveis te causou.
Dizias que a vida te machucou.
Partiste.
O mundo sem ti mais vazio ficou.
Hoje parece que tenho os teus olhos na minha frente.
A me olhar tristemente.
Como a pedir.
Me ajude, filha amada. Me ajude a partir.
Era tua hora de ir.
Partiste me agarrando.
Como se eu pudesse de alguma forma te fortalecer.
Eras meu pai adorado.
Uma parte de meu ser.
Te vi morrer.
E fiquei em pranto... (naquele tempo eu não conseguia compreender).

Que temos nosso tempo aqui e partimos, mas continuamos de outra forma a viver.

sonia delsin


MEU DIÁRIO 

Naquele dia eu me vi enfurecida. 
Como alguém podia invadir assim minha vida? 
Primo, hoje eu rio. 
Mas te odiei naquela hora. 
Quis da minha casa te mandar embora. 
Como nos marcam certos fatos! 
Ali eu guardava meus segredos... 
falava de minhas glórias...de meus medos... 
Não havia chave na gaveta, claro... 
Eu confiava nos meus entes queridos. 
Ninguém nunca nas minhas coisas mexeria. 
Só tu o fizeste, mas foi por pura zombaria. 
Queria rir de minhas fraquezas. E conhecer minhas secretas proezas... 
Tantos anos e este fato me volta. 
Relembro tudo... o teu olhar zombeteiro. 
Teu jeito arteiro. 
Pelo jardim com o caderno na mão a correr. 
E eu tentando te alcançar. 
O meu choro que não chegava a te tocar. 
E a tua recusa em me entregar... 
Hoje posso rir do que me fez chorar... 
E é bom destas coisas me lembrar...

sonia delsin



TEU COLO, PAI



Pai eterno, ontem eu estava me sentindo tão sozinha.
Estava triste, cabisbaixa.
Achando a vida feia.
Uma imensidão de areia.
Estava achando que o colorido tinha sumido da terra.
Me imaginava numa guerra.
Numa guerra comigo.
Pensava.
Parece castigo.
Ia assim tão desanimada andando por uma calçada.
Foi quando deparei com uma senhora bem velhinha.
Na mão ela tinha uma enxada.
Estava no interior de um terreno cercado por grades.
Eu a olhei.
Ela me olhou.
Nada falou.
Mas profundamente me encarou.
Fiquei parara.
A olhá-la.
E de repente ela desapareceu.
Foi um encanto que se deu?
Com seu olhar gravado na retina me pus a andar.
Segui.
Era um olhar tão terno o dela.
Tão afetuoso.
Comecei a achar tudo gostoso.
A brisa no meu rosto.
Acabou meu desgosto.

sonia delsin



ACORDO SORRINDO



Fico um tempo a me espreguiçar.
Acordo sempre sorrindo.
Achando o mundo lindo.
Mais um dia que tenho a graça de acordar.
Neste planeta adoro morar.
Mesmo com todo sofrimento adoro este lugar.
Não devemos acordar mal humorados.
O mundo é feito de sonhos encantados.
A vida é leve.
Não percebe quem não quer enxergar.
A vida vive a nos oferecer um pouco de tudo.
É para aprendermos, é para vivermos.
Brancas nuvens e mar de rosas não nos favorecem.
Nossas forças não crescem.
Estamos aqui como numa escola.
Estamos aqui para provar, para experimentar.
Para receber, para dar...
Estamos aqui porque ganhamos de presente o viver.
Não estamos aqui para sofrer.
Mas para crescer.
Imagino tantas vezes que tenho fortes raízes que penetram a Terra.
E tenho outras igualmente fortes que me conectam com o Infinito.
É assim que entendo meu ser.
Acordo sorrindo e vou me deitar também a sorrir.
O sorriso enfeita o meu existir.

sonia delsin



NASCI EMBAIXO DE UM TEMPORAL...




Chovia torrencialmente quando eu nasci.

Minha mãe diz que até hoje não sabe como foi que sobrevivi.

Eu nasci ali embaixo da chuva forte.

E quase me acolheu a dona morte.

Nasci sem médico e sem parteira.

Era um domingo e já era bem tarde da noite.

Uma noite tenebrosa.

Horrorosa.

Cheguei como chegam os ventos fortes.

Sem avisar.

Repentinamente.

O meu nascer marcou a vida de mamãe irremediavelmente.

Nascia uma criança numa hora dura e a noninha que a tudo assistia estava completamente impotente.

Ela para partos era incompetente.

E repetia uma palavra que deixava a pobre parturiente descontente.

Era uma palavra num dialeto diferente.

Tudo isso eu sei de ouvir falar.

Mas me parece que estou sempre a recordar.

Tudo isso conseguiu minha vida marcar...


sonia delsin


TÃO PESADA A CRUZ

Ela vivia reclamando.
Dizia:
-- Minha cruz é tão pesada!
Ela vivia repetindo:
-- Não há cruz mais pesada que a minha.
Um dia eu não aguentei e lhe falei:
-- Já pensou no peso da cruz de Jesus? E ele reclamava?
Ele sabia o que o aguardava e não mudou uma vírgula de sua história.
Ele poderia ter pedido ao pai que aliviasse o seu sofrimento.
Mas ele não o fez.
E nós? Nós podemos mudar alguma coisa?
Se mudarmos perderemos o sentido desta viagem ao planeta. Estaremos abandonando a missão a que nos propusemos.
Muitos se desviam do caminho traçado.
Acontece que mais para frente entenderão que deixaram de cumprir a missão e uma hora o farão.

Ela baixou os olhos e me falou:
-- Eu estava equivocada. Achava a vida uma maçada. Vou mudar.


E mudou para melhor. Não reclama mais e segue seu caminho confiante. Sabe que no final sairá triunfante.

sonia delsin


PÁGINA DO DIÁRIO DE UMA MULHER APAIXONADA

Meu amor. Estou recordando uma conversa que tivemos.
Eu lhe perguntei se seria melhor lhe esquecer. Quis saber se devia tirá-lo de meu pensamento e do meu coração de uma vez por todas.
Nunca vou me esquecer de sua resposta, porque ao mesmo tempo que ela foi vaga, também foi profunda; no diálogo que tínhamos. 
Lembro que respondeu bem assim: Você faz cada pergunta...
Eu tentei lhe esquecer. Eu juro que tentei.
Cada vez que seu sorriso me chegava eu abria bem os olhos para enxergar a realidade.
Tentava apagar seu riso que amo, tentava apagar as conversas que tivemos, os beijos que existiram e até aqueles que só fizeram parte de meus devaneios. 
Tem dias que recordo suas mãos delicadas e sinto uma vontade louca que elas possam chegar até meus cabelos, até minha face, numa carícia que anseio tanto. E se elas viessem e de repente resolvem caminhar no meu corpo...
Fico imaginando um deslizar lento e delicioso. 
Seus olhos me ficaram, como ficou sua voz e seu jeito que me cativou.
Tentei lhe esquecer, mas não consegui. Não consigo. Você chega quando menos espero e toma conta de mim e parece um feitiço isso. 
Continuo aqui e ainda lhe espero, como sempre lhe esperei. 
Continuo a chamá-lo como sempre lhe chamei...
As estradas eu lhe indiquei...
Do meu amor, em verso e prosa contei... 
Meu diário, que guarda tantos segredos sabe o quanto lhe quero.


sonia delsin



“MANHÊ”


Eu gostava quando chovia.
Adorava aquelas tardes; os temporais que caiam justamente na hora da saída das aulas.
Gostava quando descia as escadas do colégio correndo e via minha mãe lá embaixo com os braços carregados de agasalhos e sombrinhas.
Meu Deus! Parece que estou vendo ainda!
E depois, agasalhada e protegida, de sombrinha na mão, eu saía caminhando pelas enxurradas.
Era uma bagunça só. Como andava descalça na enxurrada precisava também carregar os calçados e o material escolar quase caía das mãos.
Quando não jogávamos tudo no colo de nossa mãe, que gritava conosco e nem dávamos bola, porque não era só eu a aprontar esta arte não. Os manos me acompanhavam nestas arruaças.
Eu simplesmente me deliciava enquanto ela se zangava.
Coitada. Ia nos buscar para que não tomássemos chuva e nós farreávamos pra valer no caminho pra casa.
Tempo bom aquele.
Pena que não volta.
Se voltasse eu faria exatamente igual.
Manhê, eu acho que você também deve se lembrar destas coisas, porque é uma romântica como eu.
Estou com saudade, mãezinha. Tanta. Com vontade de dar uma volta no tempo. Justamente para o tempo que eu andava nas enxurradas e sentia seu amor a nos envolver.
Parece que ainda a ouço nos chamando, ralhando.
Você no pé da escada nos aguardando; seus olhos doces, os braços carregados. O seu sorriso quando cada um de nós se aproximava.
Dá uma vontade de chorar, de rir.
Tudo ao mesmo tempo.
É muita emoção recordar tudo isso.


sonia delsin


MEU QUERIDO RIQUE

 Tão logo lhe conhecemos você se tornou o maior amigo de nosso filho mais velho e o protetor incondicional do nosso caçula.
Como você foi um bom menino!
Acabou nos conquistando.
Sempre podíamos contar com seus préstimos e os poucos você frequentava nossa casa como se fosse um parente muito chegado.
Sabíamos perfeitamente que você era um rapazinho sofrido.
Sempre que tinha um tempinho livre estava conosco e acostumamo-nos com sua presença contagiante.
Tínhamos longas conversas onde você desabafava os maus tratos que sofria e isto mexia com minha sensibilidade.
Lembra-se dos nossos passeios? Era uma maneira de compensá-lo pelo desamor do lar inadequado.
Nossa convivência durou alguns anos e nesse meio tempo ensinei-o a ser um datilógrafo com aquela velha máquina de escrever. Lembra-se como eu exigia que você não olhasse as teclas?
E quando você passava todo aquele tempo desenhando em companhia de meus filhos...
Às vezes eu só fazia bolo de chocolate para lhe agradar. Sabia como os apreciava.
Quando saímos para passear no campo você parecia-se mais com um daqueles pássaros livres que voavam.
Tudo isso parece ser uma coisa tão simples, mas teve significado para todos nós.
Ao atingir a maioridade você partiu para viver outra realidade. Deixou nosso país e passou a viver no exterior. Saiu em busca de um ganho mais rápido e também para livrar-se do ambiente hostil onde foi criado.
Tantos anos sem uma só carta, um telefonema. Você teria nos esquecido?
Ainda nos lembrávamos tanto de você.
Dias atrás vi dentro da caixa de correspondência uma carta diferente. Na hora meu coração bateu forte, reconheci sua letra.
Que emoção senti ao abri-la!
Era mesmo sua, meu amigo.
Grande garoto! Já é um homem! Na carta, quantas notícias boas!
As fotos do noivado que nos mandou estão lindas. É bonita sua a noiva.
A carta nos emocionou demais pelo conteúdo, pelas palavras de amor, por sentirmos que nada mudou. Que o homem que você se transformou ainda guarda o menino que amamos sempre.
Talvez não nos encontremos nunca mais, porque você não tem planos de voltar.
Mas quem sabe!
Valeu, grande Rique! Sua carta nos trouxe de volta um pouco de você.
Gostaríamos de revê-lo sim. Sabemos portanto, que para o amor não existe distância, tempo.
Fomos importantes em sua vida, sabemos disso e você também foi e é muito importante para nós.

Nós o amamos e pedimos a Deus que o abençoe em todos os momentos de sua vida.

sonia delsin


ROSE

Rose, é sempre assim que você nos recebe. Com um abraço e um sorriso.
Você é delicadeza. É pureza.
Eu lhe prometi que escreveria um texto contando de seu café e como pode ver estou cumprindo a promessa.
O que posso lhe dizer?
Posso falar que seu café estava delicioso e que sei que você o preparou com todo carinho. Enquanto você trabalhava e nem percebia que estava olhando-a, eu estive acompanhando todos os seus movimentos.
Quero contar que você nos inspira ternura com a sua doçura.
Sabe que com estes seus límpidos olhos azuis você encanta a toda gente?
E este seu riso de menina nos fascina.
Quero que saiba, minha querida, que você é uma das pessoas que guardo num cantinho bem aconchegante de meu coração e que sempre esteve mexendo com minha emoção.


sonia delsin


A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

Desde menina alimentei um sonho um tanto ousado.
Sempre adorei escrever e desejei que lessem o que eu escrevia.
Eu queria levar minhas estórias e meus personagens a um grande número de leitores.
Apaixonada pelos meus personagens eu queria fazer com que fossem conhecidos. Queria que as pessoas se emocionassem com eles, como eu me emociono.
Quando eles nasciam e minhas estórias ficavam engavetadas isto me frustrava muito e só não desisti, porque algo muito forte me dizia que um dia chegariam até às pessoas.
Eu não desanimava porque não costumo conjugar o verbo desanimar, desistir... Conjugo outros, por sorte.
Eu continuava a escrever, a deixar que nascessem os poemas, os contos, os romances e etc.
Uma hora algo de bom aconteceria e eu seria lida, eu pensava.
E aconteceu. Primeiro a Internet... coloquei meus textos nos sites e fui lida e apreciada. Era um começo.
Depois veio o convite para estar publicando meus mini romances.
Era algo ousado?
Digo que foi coragem.

Sinto prazer em saber que por todo canto estão me lendo.

( com o passar do tempo consegui editar livros de forma independente e me sinto realizada ) 

sonia delsin


QUERO COLOCAR UM SORRISO NO SEU ROSTO

Não posso crer quando me diz que se sente como um vaso quebrado e vazio.
Não, um ser tão vibrante e tão apaixonante como você jamais seria um vaso sem flores.
Minha amiga poetisa tão querida. Você que fala tanto de amor, e com tamanho ardor...
Só podia estar brincando comigo.
Era por conta da solidão? Não era?
Não machuque o seu coração deste jeito.
Eu conheci a sensação de inutilidade, de vacuidade e era pouco mais que uma menina. Experimentei na pele a sensação de não encontrar flores para colorir o cotidiano, mas isto já enterrei no passado.
Descobri um jardim na minh’alma que vem correndo me socorrer, quando estou a sofrer.
Bela minha, vou colocar uma florinha atrás da orelha e um sorriso no meu rosto. Com uma cestinha bem ornamentada vou aparecer no seu sonho.
Quero transformá-la numa cesta forrada de flores e ao seu lado, desejo ver esvoaçando borboletas e colibris.
Quero é vê-la feliz.


sonia delsin


MILHARES DE RAZÕES

O espelho me conta que tenho milhares de razões pra viver.
Ele me fala que guarda meus sorrisos.
Que lá no fundo eu sou a mesma.
Sempre a mesma.
O espelho me conta que algo novo está me esperando.
Ele não me ilude.
Sabe que tenho sonhos, mas sabe bem que posso realizá-los.
Sempre dei a volta por cima. Sempre encarei de frente os problemas.
E por que não agora?




 sonia delsin


SAUDADE DE UM TEMPO MORTO

Hoje, durante a missa, meus olhos se prenderam na garota que cantava com uma bela voz os salmos e voei no tempo.
Voltei àquela época que você cantava na igreja.
Era pouco que uma menina e tinha uma voz que me tocava. Uma voz que parecia preencher todos os espaços. Meu coração se enamorou tão logo a conheci.
Eu me emocionava quando a via cantando e quando conversávamos, porque costumávamos abrir o coração uma com a outra.
Seus olhos não se desprendiam dos meus enquanto cantava com o microfone na mão. Parecia que estava ali pedindo minha aprovação.
Quando terminava o canto tantas vezes corria pra meus braços. Ficávamos silenciosamente curtindo uma a outra de mãos dadas.
Parece-me que se passaram séculos que estes fatos ocorreram, mas não faz tanto tempo assim. Só alguns anos.
Hoje você vive tão distante. Mudou-se do país e construiu a sua realidade.
Na última vez que nos falamos por telefone você comentou que um dia eu lhe escrevi numa cartinha que muito provavelmente no futuro me esqueceria, porque a vida nos distanciaria.
Falei que correria mundo e me esqueceria.
Parecia ser esta uma profecia e se cumpriu porque você deixou o Brasil aos dezessete anos e não mais retornou.
Nesta última conversa você me disse que não me esqueceu. Que eu estava enganada. Que sempre está pensando em mim, mesmo vivendo longe.
Eu também a carrego no coração, porque o verdadeiro amor rompe todas as barreiras. Ele permanece vivo apesar da distância e do tempo.

Enquanto ouvia a garota cantando me perguntava se de fato este tempo que vivemos é um tempo morto. Já que o que permanece na lembrança se eterniza.

sonia delsin


UMA TARDE GELADA

Eu ia pelas ruas. O vento balançando meus cabelos.
E as pontas do cachecol subiam e desciam.
Toda enrolada eu seguia.
Estava super agasalhada e a mão estava gelada, pois esqueci as luvas em casa.
Cheguei no abrigo de idosos e fui entrando.
Lá já sou tão conhecida e tão querida.
A todos eu beijo, abraço e chamo pelo nome. Dou atenção.
São todos meus queridos.
Um deles segurou a minha mão e falou:
-- Credo. Parece a mão de uma morta. Menina, por onde andou que está enregelada assim?
Falei: Vim caminhando ué.
Ele riu e falou:
-- Aqui estamos aquecidos.
Falei:
-- Sorte a de vocês que têm este lugar pra morar. Tantos estão pelas ruas...eu vi alguns hoje.
Sei que a realidade de viver lá é difícil porque os seres humanos querem estar com as suas famílias.  Pelo menos acredito que a maioria tenha este desejo.
A conversa seguiu e minha mão continuou fria.
Eu evitava encostar a mão neles, mas alguns a procuravam, com Cacá que não fala com a boca, mas com aqueles olhos que eu já compreendo. Como Bina que também não fala, mas grita com o olhar...
E Lurdinha que fala enrolado, mas se faz entender mesmo assim.
Eu os amo e uma tarde gelada não é desculpa para não ir visitá-los.


sonia delsin