POEIRA CÓSMICA
A
barba dele alcançava a ponta do externo.
Já
nem era mais branca de tão encardida.
Ele
tinha uns olhos guardados numa caixinha de rugas como nunca vi igual na vida.
Tão
plissada a pele que quase nem se via mais o negro da íris.
Mas
existia e eu via.
Algumas
verrugas no rosto e braços.
Ele
trazia na boca um riso que nascera e morrera ali.
Era
mais uma contração.
Mas
eu queria acreditar que era um leve sorriso estagnado em sua face incinerada
pelo sol ardente.
As
cestas de lixo que se distribuíam pela pracinha ele não deixava de observar uma
sequer.
O
que encontrava comia.
Eu
o vi certa vez a comer um restinho de iogurte com colher.
Ele
remexia, comia.
Restinhos
de refrigerante bebia.
Depois
se sentava num banco qualquer.
Arrotava
como se tivesse se deliciado com uma bela refeição.
Vi
isto em cima deste chão.
E
embaixo deste céu de meu Deus.
Que
somos? Poeira cósmica?
Somos
pó?
Tento
encontrar o fio da meada e encontro um nó.
A
refletir me coloco.
E
me desloco.
Que
somos perante o Universo?
O
que somos nós?
sonia delsin

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