sábado, 17 de maio de 2014


MEU QUERIDO RIQUE

 Tão logo lhe conhecemos você se tornou o maior amigo de nosso filho mais velho e o protetor incondicional do nosso caçula.
Como você foi um bom menino!
Acabou nos conquistando.
Sempre podíamos contar com seus préstimos e os poucos você frequentava nossa casa como se fosse um parente muito chegado.
Sabíamos perfeitamente que você era um rapazinho sofrido.
Sempre que tinha um tempinho livre estava conosco e acostumamo-nos com sua presença contagiante.
Tínhamos longas conversas onde você desabafava os maus tratos que sofria e isto mexia com minha sensibilidade.
Lembra-se dos nossos passeios? Era uma maneira de compensá-lo pelo desamor do lar inadequado.
Nossa convivência durou alguns anos e nesse meio tempo ensinei-o a ser um datilógrafo com aquela velha máquina de escrever. Lembra-se como eu exigia que você não olhasse as teclas?
E quando você passava todo aquele tempo desenhando em companhia de meus filhos...
Às vezes eu só fazia bolo de chocolate para lhe agradar. Sabia como os apreciava.
Quando saímos para passear no campo você parecia-se mais com um daqueles pássaros livres que voavam.
Tudo isso parece ser uma coisa tão simples, mas teve significado para todos nós.
Ao atingir a maioridade você partiu para viver outra realidade. Deixou nosso país e passou a viver no exterior. Saiu em busca de um ganho mais rápido e também para livrar-se do ambiente hostil onde foi criado.
Tantos anos sem uma só carta, um telefonema. Você teria nos esquecido?
Ainda nos lembrávamos tanto de você.
Dias atrás vi dentro da caixa de correspondência uma carta diferente. Na hora meu coração bateu forte, reconheci sua letra.
Que emoção senti ao abri-la!
Era mesmo sua, meu amigo.
Grande garoto! Já é um homem! Na carta, quantas notícias boas!
As fotos do noivado que nos mandou estão lindas. É bonita sua a noiva.
A carta nos emocionou demais pelo conteúdo, pelas palavras de amor, por sentirmos que nada mudou. Que o homem que você se transformou ainda guarda o menino que amamos sempre.
Talvez não nos encontremos nunca mais, porque você não tem planos de voltar.
Mas quem sabe!
Valeu, grande Rique! Sua carta nos trouxe de volta um pouco de você.
Gostaríamos de revê-lo sim. Sabemos portanto, que para o amor não existe distância, tempo.
Fomos importantes em sua vida, sabemos disso e você também foi e é muito importante para nós.

Nós o amamos e pedimos a Deus que o abençoe em todos os momentos de sua vida.

sonia delsin

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