sábado, 17 de maio de 2014



SAUDADE DE UM TEMPO MORTO

Hoje, durante a missa, meus olhos se prenderam na garota que cantava com uma bela voz os salmos e voei no tempo.
Voltei àquela época que você cantava na igreja.
Era pouco que uma menina e tinha uma voz que me tocava. Uma voz que parecia preencher todos os espaços. Meu coração se enamorou tão logo a conheci.
Eu me emocionava quando a via cantando e quando conversávamos, porque costumávamos abrir o coração uma com a outra.
Seus olhos não se desprendiam dos meus enquanto cantava com o microfone na mão. Parecia que estava ali pedindo minha aprovação.
Quando terminava o canto tantas vezes corria pra meus braços. Ficávamos silenciosamente curtindo uma a outra de mãos dadas.
Parece-me que se passaram séculos que estes fatos ocorreram, mas não faz tanto tempo assim. Só alguns anos.
Hoje você vive tão distante. Mudou-se do país e construiu a sua realidade.
Na última vez que nos falamos por telefone você comentou que um dia eu lhe escrevi numa cartinha que muito provavelmente no futuro me esqueceria, porque a vida nos distanciaria.
Falei que correria mundo e me esqueceria.
Parecia ser esta uma profecia e se cumpriu porque você deixou o Brasil aos dezessete anos e não mais retornou.
Nesta última conversa você me disse que não me esqueceu. Que eu estava enganada. Que sempre está pensando em mim, mesmo vivendo longe.
Eu também a carrego no coração, porque o verdadeiro amor rompe todas as barreiras. Ele permanece vivo apesar da distância e do tempo.

Enquanto ouvia a garota cantando me perguntava se de fato este tempo que vivemos é um tempo morto. Já que o que permanece na lembrança se eterniza.

sonia delsin

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