UM ENCONTRO COMIGO
Marcar
um encontro conosco não é fácil. Para encararmos o que somos precisamos nos
armar de coragem muitas vezes. Admitirmos nossas fraquezas, nossas falhas.
Assumirmos que somos mais frágeis do que gostaríamos de ser.
Analisando
a fundo o que somos vamos descobrindo uma criança que ainda vive dentro de nós.
Uma linda criança que foi se moldando aos padrões exigidos. Mas uma criança
sempre. Uma que caminha em busca de alguma coisa que não se explica direito,
porém que traz todo o sentido à nossa vida.
Nunca
estamos suficientemente maduros. Estamos constantemente aprendendo.
Se
conseguirmos nos isolar de tudo que nos rodeia, se conseguirmos nos isolar
completamente do mundo material encontramos um ser que nos assombra e nos
deslumbra. O nosso “eu”.
Ele
mora em nosso interior, é imaterial. Vivemos com ele escondido em nosso íntimo
e tantas vezes fugimos dele.
Quando
damos uma chance dele vir à tona descobrimos o quanto seria importante vivê-lo
integralmente. Descobrimos que precisaríamos ignorar um pouco as coisas
externas que nos tomam quase todo o tempo.
Descobrimos
um dia, decepcionados, que não vivemos o suficiente. Descobrimos que as coisas
materiais, o dia-a-dia, este roda-viva que é a vida não nos dá muita liberdade
para vivermos o que somos.
Vivemos
uma falsa vida. Estamos sempre nos preocupando com tudo que não nos devia
preocupar tanto. Anastesiamo-nos com coisas corriqueiras, problemas familiares
e econômicos, e tantas coisas mais. Fazemos isso porque julgamos que estamos
interligados com o resto do mundo. E estamos realmente, mas acontece que
precisamos aprender a separar as coisas. Existe o mundo, existe a humanidade e
existe o nosso “eu”, que necessita que lhes entreguemos a devida atenção.
A
meu ver cada ser é único e tem que encontrar sozinho suas respostas. Cada um
precisa encontrar sua felicidade dentro de si. Ninguém vai trazer felicidade
para nossa vida. Só nós mesmos é que a conquistamos ou não.
Quando
tive este encontro comigo descobri que estava sentindo solidão, mesmo quando
estava rodeada de pessoas.
Este
encontro me doeu, me machucou. E por outro lado quanto bem me fez!
Foi
bom descobrir uma razão para cada gesto meu.
Havia
uma busca em mim, uma busca que agora mais que nunca compreendo.
Tudo
isso que vivi nestes últimos tempos me fizeram gastar enorme energia e
causaram-me dor.
Ainda
não resolvi todos os meus problemas e nem sei direito quais têm solução, mas
estou mais forte porque conheço agora a força de meu inimigo e assumo que
muitas vezes meu pior inimigo sou eu mesma.
Sempre
briguei comigo. Sei que sempre fui muito autocrítica e me fiz muitas cobranças.
Exigi uma perfeição que compreendo agora não existe em mim, nem em qualquer
ser.
Vou
descobrindo as coisas e elas me elucidam, mas me machucam por vezes.
Não
posso mais fazer de conta que não sei o que sei de mim. Não posso passar por
cima de meu verdadeiro “eu” como um trator como fiz na maior parte do tempo.
Esta
intimidade tão grande com meu próprio eu, este descobrimento total dizem que só
se dá na hora da morte, pelo menos na maior parte das vezes.
Não
sei se é verdade. Não entendo tanto assim de humanidade e de psicologia.
Contudo
posso dizer que fui ao fundo do poço, fui explorar cada canto meu e as
respostas estavam todas tão guardadas. Tão dobradas, porém estavam todas lá.
Agora
estão ao meu alcance e faço o que com elas?
O
primeiro passo foi dado. Descobri-me. Posso dizer que finalmente estou me
conhecendo melhor.
E
fico feliz em saber que amo esta criancinha que dorme lá dentro de mim e quero
cuidar bem dela...
De
resto vamos dar tempo ao tempo, que tudo se resolve.
sonia delsin
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