sábado, 17 de maio de 2014



UM VULTO

Eu comecei a ver o vulto aos quatro, cinco anos...
Ele usava um chapéu e era de estatura baixa.
Um homem adentrava o quarto da “noninha”.
Não o vi uma vez apenas. Na verdade foram repetidas vezes.
O fato não me assustava em nada apesar da pouca idade.
Até hoje quando penso nisso acho estranho a menina que fui aceitar tudo aquilo com tanta naturalidade.
O nono que não cheguei a conhecer vinha visitar a minha avozinha.
Eu não o via como um fantasma. Nada disso. E nem me assustava.
Sabia que ele vinha, que voltaria e aceitava tudo como uma coisa natural.
Os anos passaram. Continuei vendo e nunca mudou minha forma de pensar.
Um dia nos mudamos da casa e na nova ele nunca apareceu. Pelo menos eu não vi.
Minha mãe e eu falávamos do assunto. Ela também via e a nona dizia simplesmente: O “Queco” esteve aqui esta noite me visitando.
Era uma coisa que nem todos podem compreender.
Quando se diz que existem mais mistérios entre o céu e a terra do que podemos imaginar...
Um vulto... era tão só um vulto...
Mistérios que nunca vamos compreender.


sonia delsin

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