QUANDO
MEU TEMPO AQUI FINDAR
Todos
nós sabemos que a morte é um fato, mas ela não me assusta como nos meus tempos
de menina.
Agora
eu acredito plenamente na vida eterna.
Não
temo a morte, nem a desejo porque quero usufruir a companhia adorável de vocês
meus queridos. Quero viver intensamente e de uma forma que quando eu partir
estarei em paz com Deus, com o mundo, comigo mesma.
Tenho
um desejo excêntrico, mas vocês sabem que nunca fui uma pessoa comum.
Talvez
esse meu desejo seja até uma tolice, mas eu o quero e pronto.
Desejo
que depois de morta meu corpo, esse meu corpo vibrante de vida e cores; esse
corpo que precisou sofrer para que minha mente conseguisse atingir uma
compreensão maior. Esse meu corpo que envelhece aos poucos. Gostaria que ele
fosse cremado e que as cinzas fossem jogadas sobre a terra em que nasci,
naquele pedaço de chão que mais amei.
Gostaria
que durante o tempo em que as cinzas fossem dispersadas ao vento sobre a terra
tão amada sinos tocassem na matriz.
Penso
que a menina que morou naquela chácara nunca morreu. Não morre nunca, como não
morrem as recordações boas e más do meu tempo de criança.
É
só um desejo, mas eu o deixo aqui impresso. Quem sabe?!
Conto
com vocês para isso. É a minha última vontade.
sonia delsin

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