UTOPIA
Que
saudade eu sinto daqueles anos felizes!
Anos
despreocupados da minha infância.
Era
um tempo de alegrias, dias coloridos, encantadores.
Hoje
por mais que eu me sinta feliz não consigo mais enxergar o brilho que havia
naquele tempo.
Era
tão lindo sonhar!
Tudo
era tão fantasioso, tão imaginário!
Mas
tinha o sabor de verdade. Na minha imaginação tudo podia ser.
Para
mim não havia impossível.
Não
me passava pela cabeça a ideia de que algo não daria certo.
Eu
acreditava tanto em mim, no mundo, nas pessoas.
Como
eu acreditava em tudo!
Hoje
eu me vejo com dificuldades para acreditar em tantas coisas.
E
isso é tão ruim!
Como
eu queria de novo ser como aquela menina que fui um dia. Abraçar o mundo no meu
abraço único!
Queria
de novo esperar o presente, no sapato embaixo da cama. Acreditar em Papai
Noel...
Queria
esperar o amanhã com a certeza de que iria me trazer o que eu desejasse.
Queria
ver em cada ser humano um ser real, verdadeiro.
Como
eu acreditava no ser humano naquele tempo!
As
mentiras não existiam. Eu nem sequer imaginava que elas pudessem existir.
A
menina crédula que eu era se transformou na mulher incrédula que às vezes me
transformo.
Muitas
vezes não consigo encontrar motivos para crer no ser humano.
Estabeleço
diferenças. Uns são confiáveis, outros não.
Creio
em quem não merece minha confiança e sei que erro muitas vezes não confiando em
quem deveria confiar mais.
Gostaria
que tudo fosse diferente, mas não consigo encontrar esse um mundo ideal.
Acho
que é preciso uma reforma muito grande e essa reforma precisa começar a partir
de mim mesma.
Será
que não existe este mundo perfeito que eu sonho? Será que o mundo não tem mesmo
conserto?
Se
eu conseguisse enxergar de novo o brilho dos meus anos felizes...
Se
eu pudesse recomeçar a minha vida o que mudaria ou não mudaria?
Pergunto-me
o que posso ainda fazer por mim, pelas pessoas, pelo mundo.
O
que faço neste planeta? Por que nasci?
Tudo
tem uma razão de ser. Gostaria de criar coisas, realizar grandes projetos.
(também
escrito naquela fase difícil de minha vida)
sonia delsin

Nenhum comentário:
Postar um comentário