sábado, 17 de maio de 2014



UTOPIA

Que saudade eu sinto daqueles anos felizes!
Anos despreocupados da minha infância.
Era um tempo de alegrias, dias coloridos, encantadores.
Hoje por mais que eu me sinta feliz não consigo mais enxergar o brilho que havia naquele tempo.
Era tão lindo sonhar!
Tudo era tão fantasioso, tão imaginário!
Mas tinha o sabor de verdade. Na minha imaginação tudo podia ser.
Para mim não havia impossível.
Não me passava pela cabeça a ideia de que algo não daria certo.
Eu acreditava tanto em mim, no mundo, nas pessoas.
Como eu acreditava em tudo!
Hoje eu me vejo com dificuldades para acreditar em tantas coisas.
E isso é tão ruim!
Como eu queria de novo ser como aquela menina que fui um dia. Abraçar o mundo no meu abraço único!
Queria de novo esperar o presente, no sapato embaixo da cama. Acreditar em Papai Noel...
Queria esperar o amanhã com a certeza de que iria me trazer o que eu desejasse.
Queria ver em cada ser humano um ser real, verdadeiro.
Como eu acreditava no ser humano naquele tempo!
As mentiras não existiam. Eu nem sequer imaginava que elas pudessem existir.
A menina crédula que eu era se transformou na mulher incrédula que às vezes me transformo.
Muitas vezes não consigo encontrar motivos para crer no ser humano.
Estabeleço diferenças. Uns são confiáveis, outros não.
Creio em quem não merece minha confiança e sei que erro muitas vezes não confiando em quem deveria confiar mais.
Gostaria que tudo fosse diferente, mas não consigo encontrar esse um mundo ideal.
Acho que é preciso uma reforma muito grande e essa reforma precisa começar a partir de mim mesma.
Será que não existe este mundo perfeito que eu sonho? Será que o mundo não tem mesmo conserto?
Se eu conseguisse enxergar de novo o brilho dos meus anos felizes...
Se eu pudesse recomeçar a minha vida o que mudaria ou não mudaria?
Pergunto-me o que posso ainda fazer por mim, pelas pessoas, pelo mundo.
O que faço neste planeta? Por que nasci?
Tudo tem uma razão de ser. Gostaria de criar coisas, realizar grandes projetos.


(também escrito naquela fase difícil de minha vida)

sonia delsin

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