sábado, 17 de maio de 2014



“MANHÊ”


Eu gostava quando chovia.
Adorava aquelas tardes; os temporais que caiam justamente na hora da saída das aulas.
Gostava quando descia as escadas do colégio correndo e via minha mãe lá embaixo com os braços carregados de agasalhos e sombrinhas.
Meu Deus! Parece que estou vendo ainda!
E depois, agasalhada e protegida, de sombrinha na mão, eu saía caminhando pelas enxurradas.
Era uma bagunça só. Como andava descalça na enxurrada precisava também carregar os calçados e o material escolar quase caía das mãos.
Quando não jogávamos tudo no colo de nossa mãe, que gritava conosco e nem dávamos bola, porque não era só eu a aprontar esta arte não. Os manos me acompanhavam nestas arruaças.
Eu simplesmente me deliciava enquanto ela se zangava.
Coitada. Ia nos buscar para que não tomássemos chuva e nós farreávamos pra valer no caminho pra casa.
Tempo bom aquele.
Pena que não volta.
Se voltasse eu faria exatamente igual.
Manhê, eu acho que você também deve se lembrar destas coisas, porque é uma romântica como eu.
Estou com saudade, mãezinha. Tanta. Com vontade de dar uma volta no tempo. Justamente para o tempo que eu andava nas enxurradas e sentia seu amor a nos envolver.
Parece que ainda a ouço nos chamando, ralhando.
Você no pé da escada nos aguardando; seus olhos doces, os braços carregados. O seu sorriso quando cada um de nós se aproximava.
Dá uma vontade de chorar, de rir.
Tudo ao mesmo tempo.
É muita emoção recordar tudo isso.


sonia delsin

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