sábado, 17 de maio de 2014



AJEITA A COBERTA, MARIA!

Maria, como tantas. Maria, sim. Maria também.
Nos meus tempos de criança gostava de isolar-me do mundo. Afastava-me das pessoas porque precisava muito ficar só comigo mesma.
Nestas horas introspectivas eu viajava pelo futuro e imaginava como seria minha vida de adulta. Imaginava-me conhecendo outros lugares, outras pessoas.
O futuro foi chegando devagarinho e nem me dei conta de que o tempo passara tão depressa.
Deixei minha terra amada, meu pedaço de chão. Deixei meus entes queridos,  meus amigos, e parti pra outra. Parti em busca de meu próprio "eu". Em busca do "amanhã"  tão esperado, tão sonhado.
Outra vida começava para mim e constituí família. Em meu caminho houve muita dor e muita alegria.
No "futuro" tudo era muito rápido e os acontecimentos se sucediam.
As coisas passavam tão depressa e um dia precisei parar para pensar. Precisava analisar toda a trajetória de minha vida. Pensei que existiam falhas e começou a descobrir que apesar de tudo, havia um vazio em mim.
Descobri que a Maria em mim sobressaíra. A mulher Maria, simples, mulher, dedicada, disponível. Mas Maria é o meu segundo nome e o anterior é um nome também forte e exigente. Sonia de Sofia, mulher sabedora das coisas.
Nunca me considerei um gênio, longe disso. Mas também estou longe de ser uma mulher sem cultura.
A Maria em mim aceitou ficar em frente ao fogão por amor, mas a Sonia me cobra alguma coisa maior, muito maior.
E dividida entre estes dois nomes tão distintos e ao mesmo tempo reconciliáveis entre si vou vivendo. Não sou simplesmente Maria porque ainda dorme em mim a mulher que quer viver da arte, da poesia, da prosa.
Deixo de ser Maria quando me sento em frente ao monitor e começo a digitar meus textos. Nestas horas viajo como nos meus tempos de menina.
Maria não ousa voar quando ouve frases corriqueiras:

-- Ajeita as cobertas!

sonia delsin

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