AJEITA A COBERTA, MARIA!
Maria,
como tantas. Maria, sim. Maria também.
Nos
meus tempos de criança gostava de isolar-me do mundo. Afastava-me das pessoas
porque precisava muito ficar só comigo mesma.
Nestas
horas introspectivas eu viajava pelo futuro e imaginava como seria minha vida
de adulta. Imaginava-me conhecendo outros lugares, outras pessoas.
O
futuro foi chegando devagarinho e nem me dei conta de que o tempo passara tão
depressa.
Deixei
minha terra amada, meu pedaço de chão. Deixei meus entes queridos, meus amigos, e parti pra outra. Parti em
busca de meu próprio "eu". Em busca do "amanhã" tão esperado, tão sonhado.
Outra
vida começava para mim e constituí família. Em meu caminho houve muita dor e
muita alegria.
No
"futuro" tudo era muito rápido e os acontecimentos se sucediam.
As
coisas passavam tão depressa e um dia precisei parar para pensar. Precisava
analisar toda a trajetória de minha vida. Pensei que existiam falhas e começou
a descobrir que apesar de tudo, havia um vazio em mim.
Descobri
que a Maria em mim sobressaíra. A mulher Maria, simples, mulher, dedicada,
disponível. Mas Maria é o meu segundo nome e o anterior é um nome também forte
e exigente. Sonia de Sofia, mulher sabedora das coisas.
Nunca
me considerei um gênio, longe disso. Mas também estou longe de ser uma mulher
sem cultura.
A
Maria em mim aceitou ficar em frente ao fogão por amor, mas a Sonia me cobra
alguma coisa maior, muito maior.
E
dividida entre estes dois nomes tão distintos e ao mesmo tempo reconciliáveis
entre si vou vivendo. Não sou simplesmente Maria porque ainda dorme em mim a
mulher que quer viver da arte, da poesia, da prosa.
Deixo
de ser Maria quando me sento em frente ao monitor e começo a digitar meus
textos. Nestas horas viajo como nos meus tempos de menina.
Maria
não ousa voar quando ouve frases corriqueiras:
--
Ajeita as cobertas!
sonia delsin

Nenhum comentário:
Postar um comentário