sábado, 17 de maio de 2014



MEU DIÁRIO 

Naquele dia eu me vi enfurecida. 
Como alguém podia invadir assim minha vida? 
Primo, hoje eu rio. 
Mas te odiei naquela hora. 
Quis da minha casa te mandar embora. 
Como nos marcam certos fatos! 
Ali eu guardava meus segredos... 
falava de minhas glórias...de meus medos... 
Não havia chave na gaveta, claro... 
Eu confiava nos meus entes queridos. 
Ninguém nunca nas minhas coisas mexeria. 
Só tu o fizeste, mas foi por pura zombaria. 
Queria rir de minhas fraquezas. E conhecer minhas secretas proezas... 
Tantos anos e este fato me volta. 
Relembro tudo... o teu olhar zombeteiro. 
Teu jeito arteiro. 
Pelo jardim com o caderno na mão a correr. 
E eu tentando te alcançar. 
O meu choro que não chegava a te tocar. 
E a tua recusa em me entregar... 
Hoje posso rir do que me fez chorar... 
E é bom destas coisas me lembrar...

sonia delsin

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