BEIJO-TE AS MÃOS
Hoje
quando voltava pra casa eu comecei a pensar no passado. Em coisas que
aconteceram quando eu era uma menina e quando já me tornava uma moça.
Pois
vou contar aqui o que recordei.
Quando
me deitava eu ficava rolando na cama e de meu quarto gritava ao meu pai pedindo
a sua benção.
Ele
respondia de pronto: -- Deus te abençoe, minha filha.
Depois
eu gritava à minha mãe e ela respondia naquela vozinha doce dela.
Muitas
vezes eu demorava para adormecer e pedia de novo:
--
A benção, meu pai.
E
vinha a resposta. Ele não se zangava de eu ficar insistindo em pedir a benção.
Acho que entendia minhas razões. Compreendia que eu necessitava do aconchego.
Em
algumas noites eu pedia muitas vezes e eles pacientemente respondiam.
Enquanto
estes pensamentos povoam minha cabeça eu senti umas mãos acariciando meus
cabelos.
Pode
ter sido apenas uma ilusão de meus sentidos, mas senti a proximidade de meu
pai.
Ele
partiu há tanto tempo. Mais de sete anos.
Senti
as mãos deslizando em meus cabelos, fechei os olhos e me deixei levar. As
lembranças eram tão suaves e a mão tão gostosamente eu sentia me acariciando.
Permaneci
um tempo de olhos fechados, paradinha, quietinha. Nem dei importância ao fato
de estar num ônibus.
Tão
bom saber que mesmo tendo partido meu pai vive comigo, no meu coração, nas
minhas lembranças.
Beijo-te
as mãos, meu querido. Eu pensei e fui abrindo os olhos. Percebi que as pessoas
conversavam, riam. Aquelas coisas que fazem parte do cotidiano.
Desci
do ônibus me sentindo leve, amada. Como naqueles tempos de minha meninice,
protegida. O Pai Eterno continua a me abençoar e o meu pai terreno vive em
outro lugar, mas nunca deixou de me amar.
sonia delsin

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