O QUE A MINHA MÃE NÃO SABIA
Minha
mãe chorava naqueles dias. Como chorava!
Ela
disfarçava. Procurava sempre me trazer um sorriso quando adentrava em meu
quarto, mas eu não era boba e via seus olhos inchados.
Não
foi fácil para ela ver uma filha aos quinze anos definhando, sofrendo dores
atrozes e quase sem esperanças de cura.
O
que ela não sabia naquele tempo era que eu precisava passar por aquilo tudo.
Meu ser necessitava. Fora a forma que o formão da vida achara para me preparar
para o futuro.
Ainda
chegaria um tempo mais duro e eu precisava estar preparada para ele.
Não
foi só um o tempo duro. Foram tantos, tantos...
Um
dia eu me perguntei por que precisei passar por tudo que passei.
Não
quero viver de lamúrias, que isto a nada leva, só estou contando que algumas
vezes não entendemos porque nossos entes mais queridos precisam sofrer.
É
que nunca aprendemos de fato com as experiências dos outros, precisamos
vivenciar.
Eu
estava naquele tempo me fortalecendo, me preparando para o caminho que surgiria
à frente. Eu que tinha perdido a capacidade de andar ainda andaria muito.
Hoje
em dia eu sei o quanto minha mãe sofreu.
Foram
tempos difíceis sim, mas imprescindíveis.
O
que ela não sabia soube no decorrer da minha vida.
Agora
ela pode até me ver sofrendo, mas sabe que sou forte e aonde é que vou buscar a
força para seguir, e isto a tranquiliza. Ela sabe que não sou de desistir.
Escrevi
esta crônica porque uma amiga comentou comigo que não quer ver os filhos
sofrendo, que isto a machuca muito.
Contei
a ela esta história e repasso aqui. Nós gostaríamos que os caminhos de nossos
filhos fossem atapetados, e muitas vezes necessitamos vê-los pisando em espinhos. Mas não
podemos mudar nada, senão nada eles aprenderiam.
O
que podemos dar-lhes é o nosso amor e procurar sempre orientá-los, mas viver
por eles não. Cada um tem o seu próprio caminho.
sonia delsin

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